Mitos do Vinho

Alguns Mitos do Mundo do Vinho

Aprender sobre vinhos ou escolher uma garrafa pode ser uma experiência assustadora, tanto para iniciantes quanto para iniciados. Com todos os jargões do vinho, o grande número de variedades de uvas e estilos de vinho disponíveis, não é difícil entender que alguns “mitos do vinho” tenham surgido. Muitos deles surgiram de antigos hábitos de consumo; outros, por fazerem parte de um discurso dos meios de comunicação, com o intuito de simplificar a transmissão de informação. Ou ainda, surgem mitos simplesmente pela repetição de uma ideia preexistente.

Eles podem parecer inofensivos, mas alguns mitos são equivocados e podem atrapalhar sua jornada de descoberta do vinho. Para que você possa aproveitar melhor a sua experiência com o vinho, vamos esclarecer alguns dos mitos mais comuns.

Mito 1: “Os vinhos com tampa de rosca são de baixa qualidade”

É muito comum ouvir, em qualquer prova ou encontro de vinhos, que os rótulos com tampas de rosca são para vinhos comuns, ordinários. Não há nada mais falso do que isso. Estas cápsulas são ideais para preservar o frescor e as características de fruta do varietal. Os screwcaps se tornaram comuns em vários países produtores de vinho, particularmente em países do ‘Novo Mundo’, como Austrália e Nova Zelândia. Eles são cada vez mais populares entre os consumidores, pois são mais fáceis de abrir e armazenar, e preferidos por muitos produtores de vinho e importadores, pois são responsáveis pela diminuição de falhas no vinho.

Mito 2: “Quanto mais velho, melhor”

Quando você ouve falar de leilões de vinho, onde vinhos antigos requintados são vendidos por quantias astronômicas, é fácil presumir que todo vinho melhora com a idade. Essa afirmação se tornou, ao longo dos anos, um dos grandes mitos do mundo do vinho. Na realidade, apenas um pequeno número de vinhos se beneficia com o envelhecimento. Todo vinho tem um envelhecimento potencial ou uma pressuposta curva de evolução, dependendo do seu processo de produção.

A maioria dos vinhos deve ser consumida alguns anos após o engarrafamento. Se um vinho foi produzido para ser bebido fresco, em plena juventude, terá uma curva de evolução curta. Por isso, após o ápice evolutivo de sua curva, o vinho tende a piorar ano a ano. A maioria dos vinhos fáceis de beber, leves e frutados, sejam espumantes, brancos, rosés ou tintos e que não passaram por barricas, devem ser consumidos frescos, sem muita evolução.

Mito 3: “Uma garrafa mais pesada e imponente abriga vinhos melhores”

Não é bem assim. Por marketing, prestígio ou simplesmente por ser um diferencial de outras linhas de vinhos, é comum que os rótulos emblemáticos ou icônicos das vinícolas venham em garrafas mais bojudas e com maior peso. É verdade que ela oferece um nível adicional de proteção ao vinho, mas estes benefícios são insignificantes para a qualidade líquido que está na garrafa. Além disso, a sua produção e transporte tem um impacto maior na pegada de carbono. A compreensão sobre este fator ecológico tem sido determinante para a transição para garrafas mais leves nos vinhos mais caros e envase em materiais alternativos nos vinhos mais econômicos.

Mito 4: “Os vinhos rosés são femininos”

Os rosés estão em sintonia com uma tendência crescente para o consumo de produtos leves, e costumam ser frescos e frutados. Além disso, são sempre um grande coringa. Versáteis na hora de harmonizar, adaptam-se a uma infinidade de combinações gastronômicas. Desde peixe, frango e até carnes vermelhas com baixo teor de gordura, eles são uma alternativa ideal para desfrutar em boa companhia.

Esqueça a ideia antiquada de que o vinho tem gênero. Além dos descritores associados serem sexistas, nunca entendemos porque esta categorização feminina, tem nuances de desdém. Mulheres são delicadas e sensuais e homens são fortes e robustos? Vinho rosé é para todos os paladares que desejam experimentar uma taça de vinho fresco e frutado com uma acidez viva.

Mito 5: “Vinhos brancos para peixes e tintos para carnes vermelhas”

Existem brancos estruturados, envelhecidos ou fermentados em barricas de carvalho, como um Chardonnay ou um Rhone branco que podem combinar perfeitamente com pratos de porco, frango grelhado e até um corte de carne vermelha magra. Dependendo do tipo de elaboração e do estilo de vinho branco em mente, existem múltiplas opções quando se trata de harmonizações.

Vinhos tintos mais claros e com taninos baixos como o Pinot Noir, um Gammay ou Poulsard do Jura combinam perfeitamente com peixes gordurosos, como pacú, truta ou salmão. Da mesma forma, um Merlot ou Malbec delicado sem passagem por barricas podem combinar perfeitamente com um prato de carne branca. Mais uma vez, devemos nos livrar dos mitos que herdamos de geração em geração.

Mito 6: “Grandes vinhos têm ótimas ‘lágrimas’”

Você conhece aquelas gotas de vinho que escorrem pelo interior do copo depois de girar? Eles são frequentemente chamados de ‘pernas’ ou ‘lágrimas’ e alguns acreditam que sua aparência indica a qualidade do vinho. Na realidade, eles podem dar uma pista sobre a graduação alcoólica do vinho, intensidade da cor ou teor de açúcar, mas não da sua qualidade.

Mito 7: “Vinhos espumantes, como Champanhe, devem ser servidos em taças tipo flute”

Claro, as pessoas gostam de beber Champanhe em flutes ou tulipas, já que elas passam uma ideia de sofisticação e evidenciam o perlage, as bolinhas do espumante. Porém, recomendamos que vocês abandonem a finíssima flute e passem a beber o seu espumante favorito em taças de vinho branco. Também é válido investir no novo modelo de tulipa que está sendo usada por alguns profissionais. Essas sugestões são especialmente importantes ao escolher um espumante com longo contato sobre leveduras. Demora muito tempo para se produzir os grandes espumantes como Champagne, Cava, Franciacorta e alguns de nossos espumantes brasileiros. Além disso, ao longo do processo, o vinho espumante desenvolve sabores e aromas complexos como manteiga, torrada, brioches e até notas de nozes. Para valorizar esses vinhos, uma taça de vinho mais larga expressará melhor os aromas que simplesmente se perderiam no bojo comprido e estreito da flute.

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3 comentários em “Alguns Mitos do Mundo do Vinho”

  1. Ricardo Schiavon

    Muito interessante! Em Portugal é comum comer-se peixes como bacalhau salgado e sardinhas com vinho tinto. Lembro-me bem de uma excelente combinação de bacalhau com vinho tinto da região do Dão (um dos meus preferidos).

  2. Ricardo Schiavon

    Outra combinação excelente que esqueci de mencionar: sardinhas grelhadas com vinho tinto verde.

Comentários encerrados.

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